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VIII Festival de Poesia Falada do Rio de Janeiro
(Prêmio Francisco Igreja)


ANUNCIA OS CLASSIFICADOS
Abaixo os 20 melhores textos e seus autores, que concorreram ao Prêmio Francisco Igreja / 2015 e que foram apresentados na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, no dia 25 de setembro de 2015, a partir das 17h, no Auditório Machado de Assis

Juri da seleção dos 20 melhores textos:

app Márcia Leite - Diretora da APPERJ, blogueira, webeditora de Deleite's,
produtora cultural do evento Todas Elas & Alguns Deles.

app Messody Benoliel - presidente fundadora da APPERJ, advogada, atual Assessora Jurídica da associação.

app Mozart Carvalho - vice-presidente da APPERJ, professor de Língua Portuguesa / Literatura,
membro do Conselho Editorial da Revista Literária Plural.

app Messody Benoliel; app Márcia Leite; app Mozart Carvalho

Juri da classificação dos 20 melhores textos:

Adriana Bandeira; Marilza de Abreu Fialho e Tito de Abreu Fialho

ADRIANA BANDEIRA - Professora de Língua Portuguesa e Literatura, com especialidade em Produção Textual, formada pelas faculdades de Letras e Educação da UFRJ, autora de projetos pedagógicos que fazem da Literatura o ponto de partida para o ensino da língua materna, autora de artigo publicado no Jornal Hispano-Americano, conferencista e debatedora em mesa-redonda na I Semana Hispânica da UFRJ, e revisora. Integra o Conselho Editorial da Revista Literária Plural.

MARILZA DE ABREU FIALHO - Mineira, escritora, professora, conferencista, Acadêmica Benemérita (Grã Cruz) e Vice-Presidente da ABRAMMIL - Academia Brasileira de Medalhística Militar, diretora da Academia Brasileira de Trova, membro da Associação de Baianas da E. S. Flor Beijada, membro da Liga de Defesa Nacional. Agente de polícia e saúde comunitária. Diversos prêmios e honrarias recebidas.

TITO DE ABREU FIALHO - Carioca, médico-oftalmologista com mestrado na área. Vice-presidente da Academia Brasileira de Trova. Membro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (da qual foi presidente). Membro da Academia Brasileira de Médicos Escritores (foi presidente, também). Membro da UBE/RJ e outras associações congêneres. Escreveu contos, poemas, poemetos, sonetos, quadras e trovas, somando aproximadamente 5.000 obras. Também compositor musical. Títulos e honrarias recebidas.

Selecionados | Classificados

poema
autor
CIDADE
UF
 
Cobertura Doce

Celi Luz

Rio de Janeiro
RJ
Galope
Fábio Amaro
Pelotas
RS
O relato
Jorge Cosendey
Rio de Janeiro
RJ
Xadrez
Abílio Kac
Rio de Janeiro
RJ
O espelho de Narciso
Cláudio Bento
Belo Horizonte
MG

 

Mosaico
Pedro Paulo Moraes
Maricá
RJ
Poesia
Maria A. Coquemala
Itararé
SP
Pasárgada
Maria A. Coquemala
Itararé
SP
O tempo
Maria A. Coquemala
Itararé
SP
Amostragens

Diobelso Teodoro de  Souza

Governador Celso Ramos
SC
O farol da orla

Diobelso Teodoro de  Souza

Governador Celso Ramos
SC
Marcas de um Pescador
Diobelso Teodoro de  Souza
Governador Celso Ramos
SC
450 Anos
Horácio dos Santos Ribeiro Filho
Rio de Janeiro
RJ
Cidade Maravilhosa
Francisco Cesar Monteiro Gondar
Rio de Janeiro
RJ
Vaticínio
Tatiana Alves
Rio de Janeiro
RJ
Avenida Paulista
Flávio Machado
Cabo Frio
RJ
Sobre pães de mel
Flávio Machado
Cabo Frio
RJ
Primeiro de Março
Flávio Machado
Cabo Frio
RJ
 
Noite em Festa
Julice da Gama Alves de Carvalho  
São José do Rio Preto
SP
 
“Ad eternum”
Aurea Domenech  
Rio de Janeiro
RJ

Obs: Troféu Francisco Igreja
apperjiano Jorge Cosendey

Poeta Prêmio especial comemorando os 450 anos de Rio de Janeiro: Francisco Cesar Monteiro Gondar, com o poema Adivinhe quem sou?

 

Selecionados | Classificados do VIII FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

 

COBERTURA DOCE
Celi Luz


Nos jardins de Tia Helena
só de silêncio era feito
o pato e o espelho do lago
asas sem vento, nem canto
e flores com todo encanto.
Um tapete branco à espera
da terra de chocolate
lambia dedos de caramelo
havia sempre uma ponte
eu passava a mão por ela.
Tia Helena confeiteira
a mais doce que já vi
com ternura permitia
nossa mão na batedeira
tinha uma zanga dengosa.
No salão, festa e magia
mãos de fada, minha tia
um sonho a cada bandeja
e, na minha poesia
Tia Helena ainda me beija.
segredos de confeiteira
tenho jardim de silêncios
recheados de palavras
tornando a vida mais doce
nos meus versos de saudades.

 

GALOPE - 1º lugar / Prêmio Francisco Igreja / Melhor Intérprete
Fábio Amaro

Trago no peito
Um cavalo de aço
que relincha fogo,
que com fôlego quente
galopa ao arame rente
e, sem sinal de cansaço
segue em frente, sempre
cego para muro ou aço.
Se um dia me esborracho
e caio
no outro me ergo como um raio
que verte da terra no sentido do céu
pois sou um temporal armado
nascido da dança entre deus e o diabo.
Meu cavalo de aço
Não tem bucal nem estribo,
Sua marca é o galope rijo,
Ligeiro,
Incandescente.
Sou bandoleiro em velocidade de estrela cadente.

 

O RELATO - Troféu Francisco Igreja
Jorge Cosendey


Erato veio falar comigo
Fiz-me distraído no seio da mente
Senti seu beijo quente num mergulho infinito
Um grito de orgasmo precoce
Como foice afiada na garganta
Fiquei pasmo!
Ali, com aquela que encanta
Imediatamente aliada à pena
Saquei qu’ela sorrateiramente
Queria me dar um texto à cena
Que pena!
Não tive tesão de entregar-me inteiramente
Busca sem razão, sem pretexto
Coisa aleatória, retórica vazia
Contive-me em chorar de alegria
De nada valeria jorrar nas pautas
Era madrugada, silêncio total
Só, em estado de inocência, adormeci
E quando já cansado de indecência
Resolvi  despertar-me, mas esqueci
Então decidi relatar o fato
Mas era tarde demais!
Foi fatal!
Perdi a poesia e restou-me apenas o relato.

 

XADREZ - 3º lugar
Abílio Kac
- intérprete app Lúcia Mattos


Poderosas Torres? Ruíram...
Cavalos? Alados, voaram para Suíça...
Bispos? Por pedofilia, foram excomungados!
Peões? Em passeata, entraram em greve.
Rainha? Perdeu a majestade pelas mentiras...
Rei? Fragilizado, ficou sem a coroa!
Xeque-Mate!

 

O ESPELHO DE NARCISO
Claudio Bento


Cale-se em tua boca meu segredo
De onde bebo
Teu olhar cheio de orvalho

Cruzem-se em teu peito dois caminhos
Sob mãos
Entrelaçadas e perplexas

Recolham-se do chão os fragmentos
Que se espalham
A teus pés com veêmencia

Faça-se em tua mente a circunstância
Que balbucio
Com voz inconsciente

Recorte-se do ser toda a essência
Para compor
Em laço a transferência

Reflita-se neste espelho
A transparência
Por onde vaza meu grito de agonia

Cale-se em teu ser meu outro ser
Uma esfinge
Cifrada em fantasia

Cale-se ainda e cada vez mais
Se for preciso
O ruído das águas de Narciso

 

MOSAICO
Pedro Paulo Moraes


Precisarei ver a minha vida em pedaços
Foi difícil juntar os cacos.
Pior é encarar os fatos,
De um sonho dilacerado em tantos estilhaços de expectativas frustradas.
Mas,  um dia acordei pensando diferente.
Num desses raros momentos, em que de repente a vida nos convence de algo maior que perder ou ganhar
É que, a vida é um mosaico,
Uma concha de retalhos.
Inteiro não seria bom,
Foi preciso quebrar para acrescentar.
Meus dedos não tocaram os céus.
Mas como pó o artista com sua própria mão,
Reconstruí-me do chão.
Menino! Olhei para o horizonte,
Que se estendia para bem longe.
Não previ que seria esmiuçado.
Hoje olho para trás,
E o caminho tanto faz.
Importante foi me conhecer
E encontrar o que estava dentro de mim em cada amanhecer.

 

POESIA
Maria Aparecida Coquemala

Poesia? Que é poesia?
Preciso perguntar ao Sol que escreve poemas
Com tinta dourada nas nuvens do poente;
Que pinta folhas do outono em cores tão variadas
Que faz deste tempo uma festa, inspiração de poetas
De todos os tempos.
Ou perguntar à Lua plena, que com sua luz prateada,
Escreve belos poemas, em muros, casas e praças;
Que liberta nosso lado lobisomem, sedento de amor,
Fruto da paixão, qual vampiro insaciável.
Talvez perguntar a São Jorge...
Quem sabe o santo apiedado, mais do que explicar poesia,
Mate o dragão das verdades, trazendo do oculto lunar,
Dom Juan, o sedutor, que sacie de vez, toda sede de amor
E não mais se precise recorrer à poesia
Para extravasá-la.
Afinal, que é poesia? Resta observar os humanos.
Sensibilidade alertada, examino gestos e faces.
Capto sentimentos opostos, entro em profundos segredos.
Há poesia em muitos deles, sinto-a plena e bela.
Mas... Como expressá-la em palavras?
Poesia talvez seja apenas
O que toca a nossa alma.

 

PASÁRGADA - 2º lugar
Maria Aparecida Coquemala
- intérprete app Messody Benoliel


O sono não vem, procuro relaxar
das miudezas do cotidiano,
das inevitáveis aporrinhações
da vida em sociedade,
mesmo reduzida a uma quase solidão.
Procuro, inutilmente, esquecer
 A finitude, a relatividade, o efêmero
Características, todas, deste mundo
Em que vivemos.
Levada por ignota força,
Atravesso a linha do horizonte.
Entro num mundo sem amarras,
Sem compromissos, sem leis...
Quem sabe estou em Pasárgada...
Mas... logo eu? Nem sou amiga do rei.
Choro ou rio sem constrangimento.
Ninguém nada me pergunta.
Nada pergunto também.
Há música, companhia pra todas as horas.
Posso dançar, namorar, papear...
Ou isolar-me na biblioteca
entre poetas de todos os tempos.
Não, não pensem que morri
e desfruto do paraíso bíblico.
Hão de voltar às aporrinhações,
à realidade, à finitude, ao efêmero...
Antes, preciso me despedir de Bandeira,
e agradecer a hospedagem

 

O TEMPO
Maria Aparecida Coquemala


O tempo é uma reta.
Indiferente ao sofrimento
ou alegria dos viventes
não se desvia à esquerda,
nem à direita se dobra.
O tempo jamais retrocede
e existe para sempre.
Sem um começo e sem fim.
O tempo passa sem pausa,
trazendo bebês na alegria,
e levando à revelia
até os quem, tanto, amamos.
O tempo se torna plástico
ao tornar breves momentos
de tristezas e sofrimento
em extensas, longas horas;
ou comprimido em instantes
nossas horas de alegria.
E se você for um cético
e não acredita no tempo,
basta olhar-se ao espelho
a cada dia que passa.
Será testemunha ocular
de que o tempo existe mesmo.

 

AMOSTRAGENS
Diobelso Teodoro de Souza

Quando a fotossíntese multiplicadora
Da restauração do ar
É fortaleza pela ação gravitacional
Das sombras cósmicas,
Por toda a orla do mar
As águas encolhem-se, fugazmente:
Ficam à mostra capilares e plâncton,
Além de miúdas vidas crustáceas.

Assim também se comporta
Meu corpo. Eviscerado,
Nas convergências atrativas
E naufrágios ocasionais:
Recua para alguns recantos,
Deixando percursos visíveis
Das pulsações renitentes
E suspiros combalidos.

São rótulos da sobrevivência:
Mapas orgânicos dos infortúnios
Ficam bem evidentes.
Mas agora tem serventia
Para a nutrição e brotação
De algumas frases.

Às vezes escapo à noite,
Das incompletudes das alegrias,
Escrevendo em páginas vadias
Ou na cara da lua faceira.

 

O FAROL DA ORLA
Diobelso Teodoro de Souza


O Farol da orla permanece
À esquerda de qualquer movimentação:
De algo que fluente ou ameace
Os destinos náuticos.

Nas descidas noturnas
Do outono reciclado,
As minhas passadas nas areias
Cometem indecisões de rumo.
O olhar do farol parece registrar
Minhas inconsistências.

É como um lobo vigieiro
Que fez morada segura
Num recanto alto monte:
Lança o olhar soberano e morno
Para os pertences do mar.
Percebe seres impassíveis, naufargantes,
Que nem se dão mais conta
Da existência frágil e peregrina.
Quanto a mim, faço prosseguimento:
Compartilho insignificâncias.
Acompanho a serventia
Do olhar pausado,
Com jeito de prece,
Desse lobo solitário
Que tenta ludibriar
Os abandonos da noite

 

MARCAS DE UM PESCADOR
Diobelso Teodoro de Souza


Eu sempre tive
Deficiências importantes

Nunca me primei em prenúncios
De ventos cardeais aleivosos,
Nem em desvios
De rochas submersas
Fincadas em alto mar.

Nos encontros que tive
Com revoltas das águas,
Adquirir fissuras significativas
Que me prostrou à deriva.

Carrego nas mãos e nos versos
Marcas e recuperações
Desses infortúnios e naufrágios

Apesar das nuances
Do tempo frágil,
Definidor de rumos,
Eu nunca desisti:
Carrego traços obsessivos
Em meu genoma.

Navego a sobrevivência,
Já consegui alguns êxitos.
Sou um aprendiz
Da felicidade:
A minha subsistência

 

450 ANOS: QUATRO, CINCO, ZERO...
Horácio dos Santos Ribeiro Filho


Quatro estações do ano indefinidas,
Sem saber-te no verão ou no inverno.
Cinco sentidos maculados pelos teus pecados:
a visão de buracos e tapumes nas avenidas,
o odor de tua baía lembrando o sulfuroso inferno,
o barulho de buzinas e bate-estacas,
o sabor desagradável de tuas águas mal tratadas,
o escorregar nas tuas malditas calçadas...
Zero em Educação, Saúde e Segurança,
a começar pela maltrapilha criança
que nos sinais assusta e esmola
debilitada, faminta, sem família e sem escola.
Mais pareces a linda donzela
de dotes naturais a despertar inveja,
mas ulcerada e de tal mazela,
que ninguém a abraça, ninguém a beija!
Que os atabaques soem às alturas
clamando os orixás por ti e pelos teus.
Que salmos sejam entoados por todas as criaturas
para obteres misericórdia.
Que os sinos dobrem pedindo a Deus
o fim de nossa tortura.
Que os minaretes conclamem os fiéis
a pedir a Allah águas puras.
Que feridas do teu Protetor, assim como as tuas
afinal tenham cura.
Que te amemos de todos os modos e jeitos
porque, quem ama de verdade, não vê defeitos!

 

CIDADE MARAVILHOSA
Francisco Cesar Monteiro Gondar


A cidade maravilhosa,
sua beleza contrasta com o mar.
Forjou a mulher mais formosa,
guardou o segredo sem revelar...

Rio de Copacabana
do calor, do sol de ipanema;
seu jeito de ser não me engana
que é carioca da gema.

Pão de Açúcar tem o irmão Corcovado;
o gigante está adormecido,
e o Cristo com braço estendido
consagra um lugar bem-amado.

O Rio, nas noites de festa,
Retrata um povo de paz;
Todavia a cidade é modesta
Por tudo que tem e que faz.

Na Lapa do amor e boemia,
Carnaval é do samba e alegria.
Amamos-te, e confesso o porquê
                               ---
Em que pensem os desenganos,
Quatrocentos e cinquenta anos...
É pouco para falar de você.

 

VATICÍNIO
Tatiana Alves


Quando nasci, um anjo torto
E, de quebra, feminista,
Mais torto até que os demais,
Selou de vez minha sina:
Taxou-me de encrenqueira,
E me passou a bandeira
Da  desdobrável Adélia.
Depois, olhou-me nos olhos
Sentou-se ali do meu lado,
Chorou, como faz um homem forte,
Sentenciando o meu fado:
Vão te chamar de histérica,
Barraqueira, feminazi,
Mas tua mente é aberta,
Feminista, kamikaze,
E, ainda por cima, poeta!

 

AVENIDA PAULISTA
Flávio Machado


de repente a tela mancha de azul o mar cinza
o casal de bolivianos pinta paisagens de canoas e rios

grupos se abrigam sem terra
sob o espaço suspenso da arte

brotam improváveis cachoeiras
debruçadas sobre mortos

pintam-se dores rubras desaparecem pelas escadas do Trianon
desperta  o sentimento brando de solidão esparsa das horas

loucos apertam máquinas de encanto
poetas equilibram-se entre os carros

aos poucos o verbo dilui-se
a chuva aparece fingindo de sonsa

enquanto o cão passeia puxando o dono
a moça avisa que o ônibus
passará pelo aeroporto internacional

a brisa esfria as ruas
não se ouve mais a música das construções.

 

SOBRE PÃES DE MEL
Flávio Machado


quando te encontrei estavas deitado sobre a fria mesa
quieto, afastado, os músculos imobilizados, a face serena
corpo inerte, endurecido e frio
não pude ver o teu sorriso curto e iluminado

dos dias que não te via sair ou chegar
dos domingos de intermináveis partidas de futebol
dos dias que não trocamos nenhuma palavra
das vezes que estivemos de lados opostos
dos teus sacrifícios

das lembranças ao experimentar tuas velhas chuteiras
dos teus silêncios
dos dias que adormecias no sofá
de não devolver tuas bermudas emprestadas
da quantidade de farinha que colocavas no prato
do hábito de chupar laranjas durante o jantar

substituirei as imagens derradeiras
e a qualquer momento
entrarás pela sala trazendo um pacote de pães de mel.

 

PRIMEIRO DE MARÇO
Flávio Machado


a cidade cabia inteira na sala
os rios poluídos e os não
os morros ocupados por favelas e os não
as praias desertas e as não
avenidas
ruas
cruzando de um tempo para outro
os automóveis
as motocicletas
o embalo do subúrbio nos trilhos centrais
a contradição da violência
no rastro das indiferenças
a música cadenciando
o movimento dos ventos
das marés
a cidade cabia dentro da sala
naqueles dias de rua Cananéia
onde fantasmas faziam desfiles carnavalescos
trazendo estandartes e bandeiras
no cortejo confuso do enredo
cabia na sala da casa
as invasões estrangeiras
a luta dos confederados Tamoios
havia o perfume das meninas de Ipanema
havia também todos os odores
todos os horrores
a sala vazia não cabe na ausência
da cidade.

 

NOITE EM FESTA
Julice da Gama Alves de Carvalho


A serenidade da noite
Denuncia nossos sonhos e devaneios
O luar sutilmente destaca desejos
Que explodem sem receios.
O vento sorrateiro
Enlaça a cortina em sutil compasso
A imitar o abraço aveludado
De nossos corpos enlaçados
De mãos que deslizam precisas
Aquecem ternuras e suspiros
Amadurecem o amor
Geram promessas eternas

O brilho das estrelas e do luar
Espelho do nosso olhar
Ocultam raios da madrugada
Vibram com a cumplicidade
Dos amantes em estado
De graça...
Florescemos em celebração
De colher frutos da vida
E ancoramos nossos sonhos
No cais tecido pela magia
Da noite em festa.

 

“AD ETERNUM”
Aurea Domenech


Para Ivan Junqueira quando de sua posse na ABL.

Teu canto ultrapassa o vão limite
Que há nas formas que o tempo extingue;
Transcende a frágil condição humana.
Nem nesse tempo há quem te imite.

Pois que teu verso é terno e de outra era.
Eu vejo elipses onde tudo é claro.
Há mais palavras por detrás dos versos,
Antevisões divinas, etcetera.

Poesia clara e rara mais que jóia,
Que só se encontra ao naufragar-se fundo,
Mas que é tão leve que emerge e aflora.

Por seres tão antigo és hodierno
E tão moderno ao resistir ao tempo.
E mais que imortal tu és eterno.

 

 

Selecionados ao Prêmio Especial comemorativo aos 450 ANOS DO RIO DE JANEIRO

450 ANOS: QUATRO, CINCO, ZERO...
Horácio dos Santos Ribeiro Filho


Quatro estações do ano indefinidas,
Sem saber-te no verão ou no inverno.
Cinco sentidos maculados pelos teus pecados:
a visão de buracos e tapumes nas avenidas,
o odor de tua baía lembrando o sulfuroso inferno,
o barulho de buzinas e bate-estacas,
o sabor desagradável de tuas águas mal tratadas,
o escorregar nas tuas malditas calçadas...
Zero em Educação, Saúde e Segurança,
a começar pela maltrapilha criança
que nos sinais assusta e esmola
debilitada, faminta, sem família e sem escola.
Mais pareces a linda donzela
de dotes naturais a despertar inveja,
mas ulcerada e de tal mazela,
que ninguém a abraça, ninguém a beija!
Que os atabaques soem às alturas
clamando os orixás por ti e pelos teus.
Que salmos sejam entoados por todas as criaturas
para obteres misericórdia.
Que os sinos dobrem pedindo a Deus
o fim de nossa tortura.
Que os minaretes conclamem os fiéis
a pedir a Allah águas puras.
Que feridas do teu Protetor, assim como as tuas
afinal tenham cura.
Que te amemos de todos os modos e jeitos
porque, quem ama de verdade, não vê defeitos!

 

CIDADE MARAVILHOSA
Francisco Cesar Monteiro Gondar


A cidade maravilhosa,
sua beleza contrasta com o mar.
Forjou a mulher mais formosa,
guardou o segredo sem revelar...

Rio de Copacabana
do calor, do sol de ipanema;
seu jeito de ser não me engana
que é carioca da gema.

Pão de Açúcar tem o irmão Corcovado;
o gigante está adormecido,
e o Cristo com braço estendido
consagra um lugar bem-amado.

O Rio, nas noites de festa,
Retrata um povo de paz;
Todavia a cidade é modesta
Por tudo que tem e que faz.

Na Lapa do amor e boemia,
Carnaval é do samba e alegria.
Amamos-te, e confesso o porquê
                               ---
Em que pensem os desenganos,
Quatrocentos e cinquenta anos...
É pouco para falar de você.

 

ADIVINHE QUEM SOU? - 1º lugar
Francisco Cesar Monteiro Gondar


Não sou do nordeste,
tampouco gaúcho,
nem cabra da peste,
não vivo no luxo.

Eu tenho manias
de um cara legal,
que vive alegrias
de um bom carnaval;

Que vibra e contesta
no Maracanã
e na Lapa em festa
até de manhã;

Que dança de tudo,
da valsa ao xaxado,
eu não entro mudo,
nem saio calado.

Cerveja gelada,
Limão, caipirinha...
Ou vou pra balada
Ou fico na minha;

Não sou regional,
Tampouco enrolado,
Se falo tão mal?
Sibilo adoidado!

Que importa meu chapa
É viver pra caramba
Ou saio da roda ou caio no samba;

O tempo que eu pego
Tá sempre esquecido,
Eu devo, não nego ou passo batido;

Na terra que eu piso
Tem sol de quarenta,
Mulata sorriso, gringo não “aguenta”.

Na terra que eu ando
O povo é feliz:
─ Barriga empurrando, metendo o nariz.

Na terra que eu moro
É o chão que eu adoro,
Garota sarada, mulheres bonitas...
Ou tem feijoada ou bife com fritas.

O samba marcou
O sol de Ipanema:
─Adivinhe quem sou?
“Carioca da Gema”.

 

PRIMEIRO DE MARÇO
Flávio Machado


a cidade cabia inteira na sala
os rios poluídos e os não
os morros ocupados por favelas e os não
as praias desertas e as não
avenidas
ruas
cruzando de um tempo para outro
os automóveis
as motocicletas
o embalo do subúrbio nos trilhos centrais
a contradição da violência
no rastro das indiferenças
a música cadenciando
o movimento dos ventos
das marés
a cidade cabia dentro da sala
naqueles dias de rua Cananéia
onde fantasmas faziam desfiles carnavalescos
trazendo estandartes e bandeiras
no cortejo confuso do enredo
cabia na sala da casa
as invasões estrangeiras
a luta dos confederados Tamoios
havia o perfume das meninas de Ipanema
havia também todos os odores
todos os horrores
a sala vazia não cabe na ausência
da cidade.

                                                

Outras informações: Sérgio Gerônimo apperj@apperj.com.br
Apoio cultural: www.oficinaeditores.com.br
Site referendado no Diretório Mundial de Poesia da UNESCO

Arquivo histórico:
I FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

II FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

III FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

IV FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

V FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

VI FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

VII FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

VIII FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

 
 



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