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IX Festival de Poesia Falada do Rio de Janeiro
(Prêmio Francisco Igreja)


ANUNCIA OS CLASSIFICADOS
Abaixo os 20 melhores textos e seus autores, que concorreram ao Prêmio Francisco Igreja / 2016 e que foram apresentados na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, no dia 23 de setembro de 2016, a partir das 17h, no Auditório Machado de Assis

Juri da seleção dos 20 melhores textos:

app Jorge Ventura - Diretor da APPERJ, ator, jornalista/publicitário.

app Márcia Leite - Diretora da APPERJ, blogueira, webeditora de Deleite's,
produtora cultural do evento Todas Elas & Alguns Deles.

app Mozart Carvalho - vice-presidente da APPERJ, mestrando em Humanidades, Artes e Culturas,
membro do Conselho Editorial da Revista Literária Plural.

jorge ventura

app Jorge Ventura; app Márcia Leite; app Mozart Carvalho

Juri da classificação dos textos, do melhor intérprete e do Troféu Francisco Igraja:

Adriano Espínola; Christiana Nóvoa; Raul de Barros Jr

Adriano Espínola - poeta, ensaísta e contista. Como escritor convidado, participou do Festival Internacional de Poesia do Mundo Latino, em Bucareste-Romênia, em 1997, do 18º Salão do Livro de Paris, em 1998, e do Congresso Brasil-Portugal Ano 2000, na cidade do Porto. Tem poemas e contos em várias antologias nacionais e estrangeiras. Pertence ao PEN Clube do Brasil e à Academia Carioca de Letras (atualmente primeiro secretário). Professor aposentado da Universidade Federal do Ceará (1977-2010), ensinou também na Université Stendhal Grenoble III (Grenoble-FR, 1989-91) e na UFRJ, como professor convidado (2003-07). Vive atualmente no Rio de Janeiro. É mestre em Poética, doutor em Literatura Brasileira pela UFRJ e autor  premiado de diversos livros em poesia, conto e ensaio, seu mais recente sucesso em poesia: Escritos ao Sol. Rio de Janeiro: Record, 2015, finalista do Prêmio Rio Literatura em 2016.

Christiana Nóvoa - é Psicóloga formada pela PUC-Rio e Atriz formada pela Faculdade da Cidade, com formação profissional em Psicologia Pós-Junguiana e especializações em Arte-educação e Arteterapia. Publica poesia na internet desde 2005, no blog "Nóvoa em Folha". Seus poemas foram publicados em diversas revistas literárias, no Brasil e Portugal.  Ganhadora da Bolsa para Obras em Fase de Conclusão, da Biblioteca Nacional (2007), com o poema longo "Pirilampo Rastaquera". Tem poemas de sua autoria publicados no romance "Teoria Geral do Esquecimento" , do escritor angolano José Eduardo Agualusa, traduzido em diversos idiomas, vencedor do Prêmio Fernando Namora 2013 (Portugal) e finalista do Man Booker Prize 2016. Seu primeiro livro de poesia - "Breviário das Pequenas Horas" - foi publicado pela Editora Patuá (2015) e o próximo está em fase de produção, previsto para 2017, pela mesma editora. Desde 2009 coordena Oficinas de Poesia no Rio de Janeiro, com ênfase na apresentação e discussão das formas poéticas tradicionais e contemporâneas. Para conhecer melhor a autora e seu trabalho, visite o blog http://novoaemfolha.com

Raul de Barros Jr - filho do trombonista e compositor Raul de Barros e da cantora Gilda de Barros. Foi criado no Rio de Janeiro, onde teve os primeiros contatos com a música, ainda menino, frequentando a Rádio Nacional, de cujo elenco faziam parte seus pais. Na adolescência, participou de um conjunto musical, construindo uma bateria artesanal. Ao final dos anos 1960, interessou-se pelo violão e pela guitarra. Na década de 1970, começou a compor. Raul de Barros Jr é  Instrumentista. Cantor. Compositor. Letrista. Poeta. Inventor e construtor de instrumentos musicais étnicos. Pesquisador. Produtor Multimídia. de lá para cá participou em inúmeros eventos teatrias e musicais e em diversos projetos de inclusão social. Em 2005, apresentou o projeto "Etni&Cidade" no Conservatório Brasileiro de Música e no Centro Cultural das Águas da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, produziu a trilha sonora e assinou a programação visual (capa CD) para o video "Deixa falar: 100 anos de Ismael Silva". Também em 2005, esteve em Paris, onde participou do evento "O Ano do Brasil na França", apresentando o projeto "Etni&Cidade" no Carreau du Temple, um dos eventos culturais programados pelo Brasil em Paris, durante 2005.

 

Classificados

poema
autor
cidade
classificação
UF
 
Já é tarde

Dalva Martins Frahlich

São Gonçalo
 
RJ
Marquinhas
Alberto A. S. Sobrinho
Niterói
 
RS
Lúbrico
Alberto A. S. Sobrinho
Niterói
 
RJ
Buracos
Alberto A. S. Sobrinho
Niterói
 
RJ
Teias oníricas
Amalri Nascimento
Rio de Janeiro
 
RJ

 

Ausência
Amalri Nascimento
Rio de Janeiro
 
RJ
Duelo
Luiz Gondim
Rio de Janeiro
 
RJ
Desagregação
Luiz Gondim
Rio de Janeiro
 
RJ
Dança
Luiz Gondim
Rio de Janeiro
 
RJ
Em frêmitos sentidos...

Marcelo G. J. Feres

Rio de Janeiro
3° lugar
RJ
Aquela que uniu todos os céus...

Marcelo G. J. Feres

Rio de Janeiro
 
RJ
Areias
Carla Torrini de Miranda
Rio de Janeiro
 
RJ
Alucinações
Carla Torrini de Miranda
Rio de Janeiro
 
RJ
Encantamento
Julice da Gama Alves de Carvalho  
São José do Rio Preto
 
SP
Identidade
Julice da Gama Alves de Carvalho 
São José do Rio Preto
 
SP
Temperança
Tatiana Alves
Rio de Janeiro
 
RJ
Esperança
Cosme Custódio da Silva
Salvador
 
BA
Soneto decassílabo...
Paulo Roberto Caruso
Rio de Janeiro
 
RJ
 
O lenço
Reginaldo Albuquerque
Campo Grande
1° lugar
MS
 
Ballet da solidão
Maria do Carmo Bomfim
Rio de Janeiro
2° lugar
RJ

Troféu Francisco Igreja: Maria do Carmo Bonfim

Melhor intérprete: Marcelo Mourão com o poema AQUELA QUE UNIU TODOS OS CÉUS A TODAS AS TERRAS, de Marcelo G. J. Feres

Selecionados do IX FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

 

JÁ É TARDE
Dalva Martins Frahlich - São Gonçalo/RJ

Já é tarde... Tudo adormece!
E o vento como ventarista,
Quebra o silêncio veranista.
E atrás da cortina aparece!

Já é tarde... Tudo escurece,
À tarde não será mais vista,
No escuro não vejo revista,
Pareço zumbi que padece!

No esvoaçar das cortinas,
Vejo sombras que invento,
Nas luzes das lamparinas.

No silêncio deste contento,
Só as sombras das colinas
São companhias no momento!

 

 

MARQUINHAS
Alberto Antonio Silva Sobrinho - Niterói/RJ

Pergunto-me se eu possuía

                   alguma verruga,

                            uma pinta,
 
ou um sinalzinho escondido...

 

Sorri

e arremessei-lhe na cara
        
         todos os condilomas de minha alma.

 

LÚBRICO
Alberto Antonio Silva Sobrinho - Niterói/RJ

Abram essa espelunca
         e deixem entrar meu corpo bêbado!

Nesta noite eu quero sentir
         cheiros
         e náuseas
         e frêmitos.

Abram
         abram essa porta
                   e me deixem respirar
o acre desses pelos,
                   dessas peles.

Abram
         abram esse zíper que eu quero
                                               viver!...

Beber dessas águas mornas,
entrar por essas portas
                   e morrer.

 

BURACOS
Alberto Antonio Silva Sobrinho - Niterói/RJ

Às vezes,
eu me escondo
         nessa festa
debaixo da mesa
         nessa fresta
atrás da porta
         fenestra.

Tem dias em que sucumbo
         diante de íncubos
lascivos
e aprofundou-me
         nos íntimos lodaçais
                   com súcubos em delírios.

Por quantas vezes me resvalei
         no piso liso
                   dessa boca
         e fendi todos os seus buracos.

Buracos de onde não sairei
         até que se apague
a última luz dessa festa
         e fechem-se todas as portas,
                   trancas,
                            fenestras.

 

TEIAS ONÍRICAS
Amalri Nascimento - Rio de Janeiro/RJ

Ao varar da madrugada
Rasteja-se ao abraço do leito
Meu corpo lasso,
A inconsciência do tempo desejo como afago.

Não há tempo nem espaço,
Apenas o peso teso do torso,
Membros em descompasso,
Braços e pernas no vazio infindo do vácuo.

A manhã fora engolida inteira!
Carícias dum sonho amorfo
Ecoam dum campanário distante
Badaladas que sussurram o meio dia,
À cama, atadas em cobertores, digladiam horas insones...

No fazer-se da tarde
O sino insistente sopra um grito morno,
Pesadelos cíclicos tecem fios oníricos
Dum casulo que não se fecha no claustro desejoso.

Levanto bocejo rastejo urino gargarejo escarro...
Bebo e como...
Ah, como bebo e como!
Esgueiro-me pelos arcanos do quarto e recosto-me,
Mergulho na modorra obsidente e readormeço
Na feérica espera da metamorfose que não se completa.

 

AUSÊNCIA
Amalri Nascimento - Rio de Janeiro/RJ

Cerrados, meus dentes
Mordem as cismas
De palavras que teimam
Alarem-se em pensamentos frouxos...
Levado por devaneios tortos
Vagueio por labirintos amorfos,
Entorpecendo-me na letargia inerte
Atadora de sentimentos vãos...
A ansiedade, qual zinabre oxidante
De superfícies expostas,
Isola minh'alma aprisionando-me em casulos
De suplícios querentes...
A angústia, qual ferrugem degradante
De superfícies submersas,
Incrusta meu coração
Arritmando os movimentos
Em débeis ribombos de sôfrego sofrimento...
Embriagando-me dos aromas notívagos,
Volitantes nos sopros áridos da maresia
Que invadem o quarto,
"Silenciosamente e com pés de prata
As sombras deslizam para dentro"
Intentando fazer-se enclaustro.
"As cores das coisas se esvanecem cansadamente",
O lusco-fusco da hora mais tardia
Prostra-se nos arcanos da imensidão vazia
Que se faz a tua ausência.

"Oscar Wilde / O Retrato de Dorian Gray (Romance, p.126) / tradução de Oscar Mendes Abril Cultural, 1981 (alterado o tempo verbal)."

 

DUELO
Luiz Gondim - Rio de Janeiro/RJ

Destemido, vontade indômita,
resolvi enfrentar meu duplo.
Ele me ameaçava ao espelho,
corporificava-se no sonho.
Era parte de mim,
a sombra, o outro.
Cansara de esperar,
lutaria pela liberdade.
Duelo fora marcado,
regras estabelecidas,
fui, fomos, digladiamos.
O que sobrou?
Quem sobreviveu?
Ainda não sei,
estou a juntar pedaços...

 

DESAGREGAÇÃO
Luiz Gondim - Rio de Janeiro/RJ

Outubrando
entre escarpas de ausência,
esmaecem limites,
apagam-se pegadas.
Basta um átimo,
outro lado se vislumbra,
onde se dispensam posturas,
inexistem censuras.
De quando em quando,
caverna propaga ecos
oriundos de pensamentos em fuga,
sombras sugerem ideias fragmentadas,
traduzindo um tempo em que
ainda havia certa lógica...

 

DANÇA
Luiz Gondim - Rio de Janeiro/RJ

Na ponta dos dedos o tato,
no bico da pena o fato,
pelo corpo perpassa frisson.
Na palma da mão a entrega,
troca de olhares cega,
logo busco novo tom.
Braços que se tocam,
pernas se colocam
submissas à magia da dança.
Corpos se fazem dolentes,
desejos se tornam prementes,
coração desperta, balança...

 

3° lugar
EM FRÊMITOS SENTIDOS
A MÃO QUE BALANÇA O BERÇO DESSAS LETRAS
Marcelo Gomes Jorge Feres - Rio de Janeiro/RJ

A mão que balança o berço
No ninar do espírito
É a que acena
Em poesia

No balançar da vida
Sacodem os ventos
Tremem as mãos
Sopram as letras

Da poesia menina
Que sai a correr em ventanias
Que faz tremerem todos os dedos
Que desperta todos esses poetas meninos

A linda poesia menina
A borboleta em tardes serenas
Que pousa gentil na mão que treme esbaforida
Fazendo acalmarem-se esses berços em frêmitos sentidos

 

AREIAS
Carla Torrini de Miranda - Rio de Janeiro/RJ

As areias são ásperas
quando tocadas na pele
arrepiada de redenção...
Se misturam ao sal da angústia
que agrada a espuma da esperança...
Olhar atento no movimento do mar
que arrebenta a noção do tempo,
que se reveste com a roupagem da dor...
As areias do orvalho da penumbra
que machuca a flor rígida,
tesa no seu movimento de se abrir...
Os espinhos que se enterram
e arrefecem a moradia do acalanto
banhados das lágrimas em cascata...
A espera pelo tempo findo
da tortura que enrijece
a carne avermelhada da ação...
Areias molhadas do mar que vêm
terminado o espaço do final...
Desejo... Guardião do silêncio!

 

ALUCINAÇÕES
Carla Torrini de Miranda - Rio de Janeiro/RJ

Desertos úmidos de areias invisíveis...

Aridez imensurável de delírios não falados...
Grito sufocado na seca imaginada...
Sussurro murmurado na cascata da surdez...
Lágrimas que escorrem na face deformada...
Palavras não ditas, sufocadas no pântano...
É água que desce, é água que sobe,
é pedra que rola, é pedra que enterra...
Bifurcação imaginária da alucinação
de banquetes jamais degustados
e jamais experimentados e jamais sentidos...
Imaginação gritante do silêncio que se derrama
no choro sentido da não compreensão
inverídica da verdade jamais dita...
Maldição de querer
e redenção de permitir...
Opostos que se unem
no objetivo único e imensurável
do desejo que se cala na noite
em que o sol se põe insuportavelmente
claro dentro da lua que surge...
A lágrima rola dentro do cansaço
absoluto de submergir
submissamente ao jorro
final e inicial, cartesianamente
e absolutamente de te querer...

 

ENCANTAMENTO
Julice da Gama Alves de Carvalho - São José do Rio Preto/SP

No cochilo do tempo
Enquanto o inverno se despede
Surgem viajantes inesperados
Corpos vindos da escuridão
De cavernas obscuras
Como descreveu Platão
Que trazem em suas malas
Armas e almas nefastas
Revestidas de precárias emoções
Ódio, preconceito, desamor
Gestos insanos, mãos sem calor
Tumultuam histórias alheias
Não peneiram de si a sujeira
Encarceram sonhos e aspirações.

E quando o tempo desperta
Traz o artífice de um novo enredo
Nossa essência com lentes do amor
Enlace de pensamentos
A gestação de novas ideias
A nobreza do auxílio
E amparo ao outro
Emprestam significados
Às emoções adormecidas
E agora compartilhadas
Sente-se a paz derramada
Pincelada com novas cores
A luz em casas amanhecendo
Paisagem refeita e bendita
Redimensionam o encanto da vida.

 

IDENTIDADE
Julice da Gama Alves de Carvalho - São José do Rio Preto/SP

Com sentimentos preciosos
Ajusto as labutas diárias
Da vida, sem me abater
Com a força do outro
Retiro as algemas do corpo
Não me permito cicatrizes
Dores e tirania eu renego
Posso trocar por afetos
Se for preciso inicio do chão
É da terra que tudo nasce
Vivo de recomeços
Sou deusa, sou musa, sereia
Sou guerreira, mestre e aprendiz
Sou no palco cantora e atriz
Escrava do amor que sacia.
E na passarela do tempo
É preciso capturar a essência
Do amor, semear e adubar
Colher frutos e vidas
Que maduram com a permanência.
E enquanto o silêncio brilha
Recolho versos e palavras
Do terno sorriso infantil
Da honra e calor dos homens
Devolvo histórias e poesia
E no final do dia
O manto do céu me aconchega
Para ouvir o som azul
Eco do meu en-cantar
Sou livre, feliz, sou mulher...

 

TEMPERANÇA
Tatiana Alves - Rio de Janeiro/RJ

Às vezes, meu caminho é de areia
Viscosa
Ardilosa
Movediça
Lodo que aprisiona quem tenta dele escapar.

Às vezes, eu pego a areia
Umedeço
Ajeito
Modelo
E construo um lindo castelo, banhado de espuma do mar.

Mas às vezes eu apenas a observo
Nas dunas
Nos lençóis
Nas tempestades
E deixo que ela escolha qual face vai me mostrar.

 

ESPERANÇA
Cosme Custódio da Silva - Salvador/BA

Não me murcha a flor
Das ilusões perdidas
Não há comigo dor aguda
Muito embora o teu silêncio
Adormeça os meus espinhos

Inda assim sonho
E sobrenado a enchente
De angústias da mente
Enxergando apenas
As visões mais amenas
De luzes de esperança

O caminho das pedras
Não será em vão
E as ilusões perdidas
Achadas se acabarão

 

SONETO DECASSÍLABO A MINHA MÃE DE VOZ DE PASSARINHO
Paulo Roberto de Oliveira Caruso - Rio de Janeiro/RJ

Tu cantas como um doce passarinho
canções de tua época sagrada
e o fazes com o mais tênue carinho,
pois a riqueza lírica é passada...

Tu sabes que esse esmero comezinho
não mais existe na nossa parada
de músicas a tocar no radinho
ou na televisão plana adorada.

Tu cantas com saudade verdadeira
da época da paz imperadora,
o que te faz sentir suspiros densos.

Aquela paz já padeceu inteira,
era dos tempos áureos da senhora;
guiava das pessoas os bons sensos...

 

1° lugar - Prêmio Francisco Igreja
O LENÇO
Reginaldo Albuquerque - Campo Grande/MS

No gavetão de velharias cheio,
róseo lenço de antiga noite aflora...
E, em vez do ar bolorento da demora,
palpita o aroma do teu colo e seio.

Peça desfeita em sensual volteio,
e ao chão largada quando foste embora...
Ó deleite que o tempo mau descora,
a dança quente na penumbra em meio!

A chama do crepúsculo é alongada...
Suspira ao piano a música passada...
E ouço o teu passo, a tua fala clara...

É um deus pagão que atende o meu desejo...
O vulto que no quarto agora vejo,
é a alma do nada, a rir, da minha cara...

 

2° lugar - Troféu Francisco Igreja
BALLET DA SOLIDÃO
Maria do Carmo Bomfim - Rio de Janeiro/RJ

A louca desfila pelo pátio,
seu palco, nua em sua insensatez,
frágil na solidez do delírio
em que se imagina bailando
na ponta dos pés.

Que sofrimento esconde
aos nossos olhos expectantes,
que não alcançam suas dores,
extasiados pelas aparências
deste pas de deux de cores?

Seu par feito de éter e nuvem,
disfarça o desejo inconsequente
em que o delírio reforça sua altivez
e exalta seus sonhos,
sepultados de vez
pelo surgimento do insano.

A linha tênue entre a loucura e razão
rege o seu destino.
Assim, ela foge ao desatino,
mergulhando nesse prazer,
delineado pela beleza
do que há de mais secreto
e que só ela pode ver.

A louca, numa mudez tão pura,
dança para ninguém,
até o grand finale da loucura.

  

Outras informações: Sérgio Gerônimo apperj@apperj.com.br
Apoio cultural: www.oficinaeditores.com.br
Site referendado no Diretório Mundial de Poesia da UNESCO

Arquivo histórico:
I FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

II FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

III FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

IV FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

V FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

VI FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

VII FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

VIII FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO

 
 



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